Pra lá não tem ninguém...

Pra lá não tem ninguém...

segunda-feira, 12 de junho de 2017

FELIZ SEMANA DOS NAMORADOS

Deixo essa ficçãozinha em homenagem a esse dia 12.

A imaturidade do texto é proposital, uma vez que o protagonista da história tem apenas 13 anos de idade. Talvez essa seja, também, a idade mental do autor.

Era meu último ano de escola, eu estava terminando meu ensino fundamental e mesmo com aquela satisfação de tarefa cumprida, eu sentia meu coração meio moribundo, eu já sabia que futuramente em alguma parte da minha vida eu iria sentir saudade daquilo tudo, mesmo a escola sendo um saco e terem alguns zé ruelas lá.
Eu iria olhar para trás, algum dia, e sentir saudade.                                                                         Faltavam uns três meses pra terminar o ano letivo e, por coincidência, faziam três meses que eu me recuperava de uma decepção no amor.       Eu sou bom em gravar na minha memória as passagens dos meses, se tem uma coisa que eu faço bem, é recordar datas, puta que pariu, eu lembro o ano, o mês e o dia em que eu consegui dar o primeiro laço no meu tênis, sozinho, lembro mesmo, era um sábado de manhã.
Desde criança, que eu tenho essas paranóias por datas recordadas.                                    
Bem... Mas enfim, parei de lastimar o meu amor perdido, e adotei um novo lema de vida, o lema de que mulher seria igual biscoito, iria uma, e viriam dezoito.
Porra! Donde saiu essa merda de lema? É muito imbecil isso, sei lá, mas de algum jeito me fazia bem.
Levantei da minha cama, saí do meu quarto e fui viver de novo minha vida.
Eu andava com chicletes no bolso, tinha de sabor menta, morango, e o meu preferido, que era melancia. Assim que eu avistava alguma garota que me despertasse interesse, eu chegava perto e puxava assunto oferecendo um chiclete de menta ou de morango. Eu nunca oferecia os de sabor melancia, porque esses eram os meus chicletes preferidos e eu não queria que acabassem. Era um direito meu.
Já fiz muita amizade com garotas oferecendo meus chicletes, e no momento em que elas desembrulhavam o doce, eu contextualizava com comentários ensaiados que sempre me permitiam beijos com sabor de chicletes.
E diante de toda essa putaria alegre que era a minha vida nesses últimos meses, me apareceu Charlize.
Charlize era uma garota tímida da minha sala que sentava lá na frente, e que ao contrário de mim, era inteligente pra carái, e era muito amiga da gata mais tesuda da classe, que inclusive foi uma das que eu peguei com meu truque dos chicletes sabores sortidos.
A Charlize nunca teve uma beleza que saltasse aos olhos dos meus colegas, também pudera, eram todos otários e não tinham sensibilidade na visão.
Mas a minha visão sempre foi de X-Man.
E aconteceu que em um dia de prova, de matemática, cheguei sete minutos atrasado, Charlize também, e como a prova era em dupla e só sobraram nós dois, formamos um par.
Enquanto ela resolvia uma equação de segundo grau, eu, sem segundas intenções, observava ela, ela sabia que eu era burro, e toda a prova ela teria que fazer sozinha.
Nunca fiquei tão observador quanto aquele dia, eu não falava nada pra não me constranger mais ainda, mas tenho que admitir, aquele dia eu a vi de outro modo, era uma gracinha a filha da mãe, de beleza subjetiva, só olhos apurados conseguiam ver, eu nunca tinha chegado tão perto dela o bastante como aquele dia, sentei ao seu lado e encostei sem querer nela, senti o cheiro dos seus cabelos, percebi que ela usava algum tipo de shampoo desses Dove, cheiroso pra caramba, sei disso porque minha irmã usa esses shampoos aí. E é cheiroso o bicho.
Suas unhas eram tão limpas e bem cortadas, pulseiras bonitas no braço que faziam barulhinhos quando ela movimentava a mão com a borracha pra desmanchar algo na prova.
Encantei-me por ela, a verdade é essa, e agora eu a queria pra mim, não só pra beijar ou dizer comentários ensaiados, eu queria ela pra mim, de verdade, só pra mim e pra sempre.
Agora eu iria oferecer os meus chicletes para ela, e eu não iria falar coisas idiotas, tipo, "chiclete é o tempero do beijo”, que por incrível que pareça, já fiz garotas suspirarem com essa bosta ensaiada, mas agora seria diferente, eu iria deixar o meu mais profundo sentimento falar, e claro, eu iria oferecer à Charlize, meu chiclete de melancia, o meu preferido, o qual eu nunca tinha oferecido pra garota nenhuma.
Era assim agora, tudo que eu achasse de bom e de melhor nesse mundo, eu iria dividir com ela, até mesmo meus chicletes de melancia.
Meu único medo era de me frustrar de novo, porque seria desastroso outra tristeza na minha vida, e se não desse certo, seria difícil esquecê-la, porque minha irmã usa shampoo Dove, e cada vez que ela lavasse seus cabelos, eu iria lembrar da Charlize e chorar.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Os comedores de batatas

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e área internaVicent Van Gogh nos dá a conhecer uma família pobre dentro de um ambiente humilde comendo batatas.
"Os comedores de batatas", do ano de 1885.
Até aí é óbvio.
Contudo, por incrível que pareça e por mais que o nome da obra seja mesmo esse: "Os comedores de batatas", as batatas em si, são apenas figurantes da cena.
Em primeiro instante, à primeira olhada, vemos pessoas reunidas à mesa, cansadas depois de um dia exaustivo, o que deduzimos pelos semblantes de cada um.
O relógio lá atrás na parede, marca 7:00 da noite, eu digo já ser noite porque a lamparina já está acesa e pelas janelas conseguimos ver que está escuro lá fora.
O primeiro senhor sentado à mesa, na extrema esquerda, parece estar com o olhar ao longe refletindo e olhando para o vazio.
A moça ao seu lado, o olha compadecida, talvez pensando: 'Com o quê papai está preocupado?'.
A senhora da extrema direita de semblante melancólico, enche algumas xícaras de chá para servir.
O velho senhor ao seu lado dá sinais de agradecimento. Não consigo distinguir se ele segura em suas mãos uma batata cozida, ou uma xícara de chá...
Por fim, a mocinha de costas no primeiro plano da pintura evidencia que não era objetivo do artista revelar amplamente a mesa com batatas de modo a ser referência no panorama cênico da arte, pois a mocinha de costas na frente da imagem desprende a nossa atenção e a distribui para os detalhes dispersos na obra, cuja, sua protagonista, é a agregação familiar cotidiana, digo cotidiana, porque é notório o comportamento natural de todos à mesa, sem o protocolo das reuniões esporádicas em que obrigatoriamente deve-se ser simpático e dar muitas risadas.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Sapo Cururu

Nosso amigo sapo cururu, uma das 40 espécies do gênero Rhinella, comum em nossa região, incluindo lugares urbanizados.
Tem notável empenho de viver em lugares distantes d'água.
Possui a pele grossa, seca e rugosa, e também glândulas paratóides atrás dos olhos responsáveis por liberar veneno involuntariamente quando tem a sua paz perturbada.
O sapo cururu é um controlador natural de insetos, visto que eles estão no seu cardápio, portanto, é um animal importante para a defesa contra mosquitos, por exemplo.

domingo, 28 de agosto de 2016

Papai Noel, coelhinho da páscoa, discos voadores, pessoas normais... Não existem.

Aliás... Discos voadores talvez existam.

quinta-feira, 14 de julho de 2016




Ontem pela madrugada assisti vários episódios de um seriado que eu gostava de ver no SBT, "Punky, a levada da breca", passava na minha infância.

Assisti no YouTube, senti nostalgia.


Saudades.







                  Imagem: http://www.sbt.com.br/sbtnaweb/midias/18062/Veja-como-hoje-estao-os-atores-de-Punk.html



terça-feira, 5 de julho de 2016

Essa pergunta parece capciosa e talvez seja arguta demais para os nossos padrões de bondade divina intrínseca em nossos corações, sobretudo te leva ao ápice de um autoconhecimento reflexivo para todos os dias.

Você é um guerreiro estimado com admirável habilidade em espadas amoladas e muito considerado por diferentes povoados de toda a redondeza das terras por onde passou.

Dessa maneira, certa vez se pôs a caminhar sozinho por vários dias num deserto extenso para pensar maduramente no real fundamento de todas as guerras pelas quais lutou e nas quais morreram os amigos.

Na duradoura caminhada tu carregas consigo uma espada embainhada e uma vasilha compacta pendurada a tiracolo com boa quantidade de água potável para beber em percurso.

Após alguns dias você encontra o funesto anjo rebelde expulso do céu, o demônio em pessoa, carne e osso, satanás agonizando na areia infértil do deserto quase morto, pedindo misericórdia e um pouco de água pra beber, estendendo sua mão enquanto roga por clemência.

Você, como guerreiro esclarecido e conhecedor do ensino que difunde o amor, tem que decidir se desembainha a sua espada e corta-lhe a cabeça separando-a do corpo para matá-lo com a intenção de saciar o desejo de vingança, ou lhe cede a ajuda e um pouco de água pra beber, deixando exalar pelo seu coração o amor instruído pelos seus antepassados como base para tudo que é bom.

Você se vinga, ou perdoa?

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Não são requeridos grandes rituais de disputa para ser membro de uma associação de moradores.
Nas ONG's sobram vagas para interessados e não há motivo para circunstancialmente existirem suplentes nessas áreas de trabalho.
Na visita aos orfanatos e asilos da cidade todos são bem-vindos e não é preciso fazer campanhas caras, incongruentes e patrocinadas para ganhar os votos e o direito de ser um ilustre visitante deste lugar.

No entanto, não há concorrência para tais nobres cargos, visto que não há salário.
Só adentra nessa sublime situação sobrevivida sob boas vontades voluntárias aqueles que têm a magnânima revolução correndo junto com o sangue dentro das veias a caminho do coração para ser bombeado com força e circular de novo bem oxigenado, independente de qualquer remuneração material legislada pela ação e reação, e que como tudo que é físico na vida, será degradada pelo efeito do tempo.
Daqui a pouco começam a empurrar um ao outro por um lugar ao sol na temporada eleitoral, aliás, por um lugar à sombra, com vacas gordas e tetas com leite, para mamarem fácil.
Com a ausência, do espírito revolucionário que almeja mudança benéfica para o coletivo, reina o cunho mercenário que almeja grandes salários e benefícios monetários individuais para pouco trabalho e muita negligência.
Não fazem questão de serem parte de uma assembleia voluntária urbana para melhoria do seu bairro, contudo querem ser autoridade política sem nem mesmo terem arrumado a cama ao acordar, todavia com a demagogia de que vão arrumar o mundo.
Vaidade.
Corrida pseudo-heroica, pseudorrevolucionária, dinheiro, a alta remuneração, os benefícios financeiros, o poder e o status, o terno e a gravata, a vaidade em demasia que quando cai nos olhos, não arde igual sabão, mas cega.
Enquanto isso o genuíno que não sabe falar em público sem qualquer verba de gabinete para auxílio financeiro e que trabalha uniformizado com camisa desbotada de gola pólo cheirando a suor, tem seu vale transporte descontado no contracheque no final do mês, uma vez que, não ganha auxílio gasolina e muito menos carro à disposição.
Não é preciso estar dentro da política e ser remunerado para ser um servidor social, pelo contrário, talvez seja melhor que esteja mesmo fora dela.
Não abomino a ideia de que cargos da administração pública sejam de caráter voluntariado ou com remuneração simbólica ao menos, pois desse modo a razão principal para a conquista de tal posto seria realmente a real possibilidade de revolucionar sem querer o supérfluo em troca.